Objeto, espírito e território.

Casa não é espaço.
Casa é memória em matéria.

Por Tiago Braga (@oiamodesign)
Artesãs: Tânia Tunes Furtado, Stela Maris Xavier, Marlene Helvig, Dilce Frank Paulsen, Luciana Viana

Foto: Divulgação Oiamo

 

Os modos de vida sulinos se entrelaçam na materialidade do cotidiano no Rio Grande do Sul. Esta pesquisa toma a ideia de casa ancestral não como um passado cristalizado, mas como um campo vivo, onde gesto, corpo e território seguem em relação contínua.

 

Candeeiro Hornero - Ano 2023 - Fotos: DoubleB

 

A casa, aqui, não se define apenas por paredes ou abrigo. Ela se manifesta nos modos de habitar, nas práticas compartilhadas, nos ritmos cotidianos e nas matérias que acompanham a vida. Trabalhar a lã, sentar, acolher, reunir — são ações que constroem pertencimento e permanência para além da arquitetura formal.

Foto: Antônio Fotogtafia

 

A lã ocupa um lugar central nessa experiência. Matéria viva, ligada ao ciclo dos animais e ao ritmo das estações, ela carrega uma relação direta entre cuidado, tempo e uso. A tosa, realizada de forma respeitosa, não é extração, mas convivência: um gesto repetido, aprendido e transmitido, que preserva tanto o animal quanto o saber.

Nesse território mestiço, diferentes matrizes culturais se sobrepõem e convivem. A ancestralidade não aparece como herança fixa ou origem única, mas como experiência incorporada, transmitida pelo uso, pelo toque e pela repetição dos gestos. A memória se mantém ativa não como relato, mas como prática.

Fotos: Antônio Fotografia

 

Os objetos que emergem desta pesquisa operam como extensões desse habitar. Matéria, forma e uso se organizam a partir de referências domésticas e afetivas, sem recorrer à representação literal. A casa ancestral se faz presente na lógica construtiva, na escolha dos materiais e na relação direta com o corpo.

Não se trata de recuperar um passado idealizado, mas de reconhecer continuidades que atravessam o tempo e moldam o presente. A casa ancestral persiste como ritmo, como gesto e como presença cotidiana — um lugar onde memória e vida seguem em elaboração constante.

 

A partir desta pesquisa desenvolve-se a coleção a seguir.